domingo, 29 de julho de 2012

Série Campeões: QUEM É O FAVORITO AQUI?


Sobe a ópera!

Nova abertura oficial em avant-première

A temporada 2011/2012 da UEFA Champions League – competição tão fantástica que nos faz arrepiar ouvindo música clássica – foi mais emocionante do que qualquer um poderia prever. Reviravoltas, prorrogações, decisões por pênaltis. Nas transmissões de alta definição vimos defesas monstruosas, lances cinematográficos e golaços para todos os gostos.

Falando em previsão, quem quis dar uma de vidente e apostou no imaginado ‘duelo do século’ entre Barcelona e Real Madrid caiu do cavalo. Nas semifinais, ambos sucumbiram à garra de Chelsea e Bayern de Munique, respectivamente.

O Bayern tinha então a chance de ser pentacampeão da Europa dentro de casa, já que a Allianz Arena havia sido nomeada como a sede da final. Mas o time de Didier Drogba calou os alemães e venceu pela primeira vez o torneio mais importante do planeta.

O título era absolutamente improvável, mas o Chelsea provou que podia e foi campeão absoluto

[Pfaffenbach-Reuters]

Campanha

Valencia e Bayer Leverkusen, apesar da tradição ainda ostentada, foram coadjuvantes e só conseguiram arrancar pontos do Chelsea dentro dos próprios domínios, na fase de grupos. Mesmo assim, o técnico português André Villas-Boas sempre foi contestado por mídia e torcida, desde que chegou ao Stamford Bridge como o técnico mais caro da história (investimento de € 15 milhões). O suposto mau relacionamento dele com os ‘medalhões’ do time prejudicava o ambiente, e as vitórias não eram convincentes.

O bicho pegou mesmo foi no mata-mata. Nas oitavas, os Blues tiveram que encarar o melhor time do Nápoli desde Careca e Maradona. A torcida napolitana, uma das mais fanáticas da Europa, fez do tradicional San Paolo um caldeirão. Contagiado por essa energia, o time italiano abriu 3 a 1 no jogo de ida. A derrota custou o cargo de Villas-Boas, que foi substituído pelo assistente Roberto Di Matteo.
O Nápoli, do uruguaio Cavani, soube aproveitar o fator casa
 [Getty Images]
Substituição em Nápoles: sai Villas-Boas, entra Di Matteo
 [Getty Images]
A troca do treinador foi o momento chave na competição. Di Matteo, ídolo da torcida do Chelsea pela sua passagem no fim dos anos 90, mostrou identificação maior com os atletas e ajudou os londrinos a passarem pela pedreira que foi o Nápoli: o placar foi devolvido em casa e o golpe de misericórdia dado na prorrogação, fechando em 4 a 1 com Ivanovic.

Nas quartas de final, o Estádio da Luz foi o primeiro a se calar: duas vitórias azuis sobre o Benfica. A sequência de partidas foi mostrando um Chelsea mais seguro lá atrás e letal nos contra-ataques puxados por Drogba e Ramires. O italiano pegou um time antes desacreditado e colocou-o na final da Copa da Inglaterra jogando redondinho. David Luiz se firmou como grande zagueiro garantindo a titularidade; Raul Meirelles passou de coadjuvante a peça-chave no grupo; Juan Mata, um dos líderes de assistências na liga inglesa, articulou as principais jogadas; e o Ramires cresceu demais, jogando bem avançado pela direita e também sendo crucial na fase decisiva.
O Abramovich também acreditou no espanhol, e muitoo.ooo.ooo,oo
 [Getty Images]


Até o Fernando Torres, que estava numa zica tão monstruosa quanto o valor de sua transferência (dezenas de milhões de euros para dezenas de jogos sem marcar gol), recuperou seus momentos de glória, quando chegou a hora da verdade.

E a verdade tinha nome, adjetivo e complemento: Barcelona, favorito e melhor time do mundo.

Vamos abrir um parêntese para falar sobre favas contadas. Era inegável que dez em cada dez pessoas tinham, no mínimo, a curiosidade de ver o duelo entre Real e Barça na final. A possibilidade de isso acontecer gerou tanta expectativa que o Bayern de Munique, detentor de quatro Champions, foi taxado previamente como zebra frente ao time de Mourinho e Cristiano Ronaldo. Mas dentro de campo, o que se viu foi uma batalha épica de 180 minutos onde tudo poderia acontecer. E aconteceu quase de tudo, inclusive o Real Madrid caindo de joelhos no Santiago Bernabéu, ao perder nos pênaltis a vaga para a final. Sabe aquela história, de que dentro das quatro linhas são 11 conta 11 e blá blá blá? Pois é.
Mas o Barcelona não ia engolir o Chelsea?
 [Getty Images]
A torcida inglesa, que não é das mais contagiantes do mundo, viu que era a hora de dar o seu máximo das arquibancadas. Mas na maior parte do tempo, todas as unhas foram roídas enquanto o Barcelona martelava de todas as formas. As preces foram atendidas: Petr Cech teve mais uma atuação de DVD, e a plástica de suas defesas era ainda mais admirável nos replays em slowmotion.

Messi foi bem marcado, mas como ele ainda sempre consegue aprontar algum tumulto com a bola colada aos pés, Ashley Cole teve de ser providencial em dois lances na pequena área.

Goleirão estava inspirado e com sorte: duas bolas na trave. Teve gol? Teve sim, senhor! Drogba, sempre ele. Mantida a vitória simples, garantida a vitória maiúscula.

No jogo de volta, mais do mesmo, só que com um pouco mais. Mais genialidade dos catalães, mais gols, mais uma expulsão pra coleção do Terry, mais Cech, mais drama... Só que também tinha mais Ramires (golaço por cobertura) e mais bola no travessão (Messi de pênalti).
Cartão vermelho para o John Terry? Ah vá!
 [Getty Images]
O placar de 2x1 já eliminava o Barcelona, que mesmo vencendo perdia no quesito gols fora de casa. Pois então o Camp Nou conheceu o fenômeno cujo poder de destruição fora esquecido com o tempo. El Niño Torres aproveitou-se do desespero do Barça que se lançou todo à frente e, absolutamente sozinho, cortou metade do campo com a bola nos pés. Em seu disparo, o clima de “já ganhou” dos times espanhóis acabava de cair por terra, gradativamente, a cada passo largo do centroavante. No encontro com Valdés, 2 a 2.
Torres fechou o caixão blaugrana no Camp Nou abarrotado.
A zica acabou em boa hora.
 [Getty Images]
Final

Sair da adversidade não estava sendo problema para o Chelsea até ali. Então que tal encarar o Bayern em Munique, após os bávaros terem despachado simplesmente o Real Madrid?


Ambos os times chegaram à final com seríssimos desfalques (Terry, Ramires, Ivanovic, Luiz Gustavo), para descabelar os técnicos durante os dias que precediam a partida. Melhor para Di Matteo, careca por antecipação.

O time do Bayern era muito bom. Em questão de qualidade técnica, talvez só ficasse atrás dos gigantes caídos nas semifinais, e não por muito. Mas na hora do “vamos ver”, Robben ratificou sua fama de amarelão, perdendo gols feitos – um deles de pênalti.
Petr Cech sendo... Petr Cech
[Pfaffenbach-Reuters]
Do lado azul da força, Drogba foi do céu ao inferno em poucos minutos, para ascender novamente e ter seu nome imortalizado entre os maiores. Já explico: o marfinense empatou o jogo de cabeça aos 43 do segundo tempo e cometeu um pênalti em Ribéry no início da prorrogação. Mas como Petr Cech agarrou o penal, coube a Drogba fazer o gol do inédito título europeu do Chelsea no desempate final.
Difícil destacar um só nome desse time.
Ainda mais difícil não lembrar-se de Drogba.
[Wolfgang Rattay-Reuters]
A caminhada até o topo não foi nada fácil, mas o mundo só notou a presença e a força do Chelsea após eles desbancarem o todo-poderoso Barcelona, aceitando que eram inferiores e se dedicarem exclusivamente ao contra-ataque. Então se instaurou de vez a discussão sobre futebol arte versus futebol de resultado.

Nunca é demais jogar bonito, encantar o torcedor com esquemas ultra-ofensivos, tabelas magníficas e toques de efeito. Mas a mesmice não é excitante, e o futebol também precisa de emoção, doação, viradas históricas e (por que não?) de voltar a ser a velha e apaixonante caixinha de surpresas.
Aos 34 anos, o mito foi para a China fazer o seu pé-de-meia
[Agence France Press]
Roman Abramovich, o magnata, já está buscando no mercado as peças de reposição necessárias para manter o time entre os mais competitivos do mundo. Apesar da saída do ídolo Drogba, os brasileiros Oscar e Hulk serão incorporados ao grupo logo após os Jogos Olímpicos. Em dezembro, buscará o título do Mundial de Clubes da FIFA, campeonato onde também estarão também o mexicano Monterrey, o australiano Auckland e o brasileiro Corinthians, campeão da última Libertadores.

Falando em campeão, semana que vem a série continua, falando mais um pouco de quem deu o que falar en el mundo del fútbol.








domingo, 22 de julho de 2012

Série Campeões: A TRINCA CENTENÁRIA

Se no Brasileirão o Santos anda capengando (10 pontos em 11 rodadas), há exatos 70 dias o Capitão América levantava a taça do tricampeonato paulista no Morumbi. Era a abertura perfeita para o ano do centenário de um dos clubes mais vitoriosos do mundo.

O peixe foi campeão paulista com sobras em 2012. (Fotos: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

A imprensa exaltou o feito do time, que igualou a sequência de títulos estaduais conseguida apenas nos anos 60, com Pelé e companhia ilimitada. Na final de 2012, o Guarani não fez frente ao ímpeto dos praianos, que golearam nos dois jogos realizados na capital (3x0 e 4x2).


Campanha

Depois do fatídico jogo com o Barcelona, o Santos fez a pré-temporada pensando em voltar a Yokohama na edição seguinte do Mundial. Por isso, a prioridade do semestre era mesmo a Libertadores, e o Paulistão seria deixado em segundo plano.

O curioso é que a campanha do Peixe no estadual só emplacou com o início da própria Libertadores. Se teve algum trabalho nos clássicos (derrotas para Palmeiras e São Paulo), o melhor ataque do Paulistão (58 gols) não passou por grandes sustos na primeira fase, e acumulou goleadas das mais convincentes. Na última rodada, o pobre Grêmio Catanduvense desceu à baixada para assistir a uma verdadeira aula de futebol, ministrada por Neymar e Paulo Henrique Ganso.

Semifinal: 100 vezes Neymar
Nas partidas de quartas e semifinal, o Santos reencontrou-se com dois dos quatro algozes da primeira fase: Mogi Mirim e São Paulo, respectivamente.

Contra o Mogi, vitória segura com direito a gol de Maranhão e carretilha de Neymar, que também anotou o dele nos 2x0 da Vila. Uma semana depois, teve hat-trick do camisa 11 no Morumbi com mais de 40 mil pessoas. Mais um show do craque, que pela 100ª vez em sua carreira fez o santista soltar o grito de gol.


Final

A vila famosa não foi palco da decisão, por determinação da FPF, detentora dos mandos de campo. Mas o Brinco de Ouro também ficou de fora. Eles por eles: ida e volta no Cícero Pompeu de Toledo.

O Bugre era a sensação entre os times do interior: passou em 4º lugar na primeira fase. Contava com o velho Domingos em boa forma, a experiência de Fumagalli na articulação e nas bolas paradas, além de um ataque veloz, com Fabinho e Bruno Mendes, uma das revelações do campeonato. No mata-mata, já havia despachado o Palmeiras e passara ileso também por um histórico derby campineiro.

Ganso & Neymar : 5 títulos em 3 anos de Santos. 
Mas a decisão do título não teve rodeios nem mistério. No primeiro jogo, Ganso foi o regente da orquestra. Seu gol acompanhou mais dois de Neymar no placar final. As faixas de campeão já estavam a caminho.

No jogo de volta, pelo ligeiro descompromisso dos times com o placar, tivemos muitos gols. O primeiro deles, de Alan Kardec, saiu logo no segundo minuto de jogo. Aos 16 avistava-se 2x2 no placar, com um gol saindo a cada quatro minutos.

Na segunda etapa, o Santos jogou com o relógio a favor. Mas os 50 mil santistas no Morumbi queriam a vitória, que veio com mais um gol de Neymar, mais um de gol Alan Kardec... Mais um título para o Santos.

E o Morumbi virou mar branco.

Desde 2010, o primeiro grito de campeão de se ouve em São Paulo é sempre o do Santos Futebol Clube. Depois do tricampeonato paulista, o time vendeu bem caro a derrota para o Corinthians na semi continental. É uma pena que a base que Muricy tinha em mãos no primeiro semestre (Rafael, Maranhão, Dracena, Durval, Juan, Adriano, Arouca, Ibson, Ganso, Neymar e Alan Kardec, além de Elano, Borges, Léo e Fucile) tenha se esfacelado. Saídas de algumas peças (negociações, convocações) e lesões de várias outras vêm atrapalhando o rendimento do time na última competição do ano 100.


Ciclo vicioso. Aliás, vitorioso.

A classificação no nacional não deverá ser das mais decepcionantes, com o retorno dos selecionáveis, lesionados e a incorporação dos reforços. Independente disso, o santista sempre teve e terá muito do que se orgulhar. Já dá para contar para os netos como jogava bola essa Geração Neymar. E a multiplicação dos peixes parece não ter fim, pois aos poucos está subindo ao time principal uma meninada boa de bola, para variar. Felipe Anderson (19 anos) e Victor Andrade (16!) já figuram entre os relacionados há um tempo, e o recém-contratado Pato Rodríguez (22) traz boas expectativas da Argentina.

Não tem como fugir: esse futebol moleque, atrevido e encantador está no DNA do Santos, como gosta de dizer o Laor. Quando um novo grupo de Meninos da Vila resolve brincar com a bola, se diverte fazendo a lição de casa e, de quebra, acaba ganhando presente, fazendo questão de exibir para todo mundo ver.

O artilheiro isolado da competição, com 20 gols, grudado à taça.
Permanência até 2014?

Compilado com os 58 gols do Santos no Paulistão 2012.
Alto índice de golaços por minuto.

sábado, 30 de junho de 2012

Show do intervalo

Eis que o primeiro tempo da decisão da América termina empatado. Pelas circunstâncias, a segunda parte do confronto começa melhor para o time brasileiro. O garoto Romarinho virou definitivamente o mais novo xodó da torcida, ao calar a Bombonera numa boa, como se não houvesse nada mais a sua volta. Nenhum peso, nenhum obstáculo, nada.
Uma ilha de tranquilidade na pulsante 'catedral do futebol'. Gol. (Djalma Vassão/Gazeta Press)

Encobrindo Orion com espantosa calma e sutil consciência, o rapaz de Palestina (SP) derramou um belo balde de água gelada na festa argentina, que até os 85 minutos de jogo fazia todo o estádio tremer. Ao menos Romarinho não tremeu. Longe disso!

Instantes depois, o corintiano quase engasga com o coração que veio à Boca, no lance que la pelota de Viatri explodiu no travessão, voltou para a testa de Cvitanich e rosqueou para fora do gol. Sorte de campeão?

Falando em campeão, teremos taça levantada já no domingo. Enquanto o segundo tempo da decisão de 180 minutos não começa, fiquemos com as atrações do intervalo: domingo tem final da UEFA Euro em Kiev, entre Espanha e... Itália! Não é que a squadra azzurra passou pelo ótimo time alemão?

Por mais marrento que seja, Balotelli vem merecendo aplausos. Decidiu se tornar o verdadeiro Super Mario da Eurocopa até aqui, anotando gols importantes e chegando à final como o maior trunfo italiano. Ao contrário da Espanha, a Itália tem um camisa 9 com moral elevado para o duelo. 
Super Marra: 'Comemorar gol por quê? O carteiro vibra quando entrega carta?' (Agence France Presse)

Para tentar o bi consecutivo, a Fúria tem um time mais técnico. Toca a bola de um lado para o outro até que, de repente, aparece alguém de cara para o gol. Na última decisão de UEFA Euro, teve El Niño varrendo a Alemanha de uma vez só. Na última decisão de Copa, o nome do 1x0 foi Andrés Iniesta.

Enquanto estiveram no grupo C, as duas seleções finalistas do próximo domingo empataram em 1x1, em jogo que Fernando Torres perdeu chances preciosas de gol. A Itália acaba de bater o bicho-papão alemão e a Espanha passou pelos portugueses a duros pênaltis. Atração imperdível. A dimensão do que representa o encerramento da UEFA Euro 2012 fez a Globo/CBF remanejar os horários da 7ª rodada do Brasileirão, para transmissão da final. 

Brasileirão que teve mais alterações na tabela. O jogo entre Corinthians e Botafogo foi adiado, assim como vários compromissos do Santos tiveram datas modificadas em 2011. Detalhe: o Botafogo não tem nada a ver com o Corinthians estar na final continental. É com essa organização do improviso remendado e do favorecimento restrito a parceiros políticos que a CBF quer que um dia nosso campeonato se compare às maiores ligas europeias. Pífio.

Mas ainda há rodada, no fim das contas, com duelos interessantes. Destacando os primeiros colocados, teremos o Cruzeiro (1º) colocando a liderança à prova contra o São Paulo de Milton Cruz.

De olho nela está o Atlético Mineiro (2º), que vai com R49 ao Olímpico, na estreia de Zé Roberto pelo Grêmio (4º).

O Vasco (3º) está no retrovisor dos mineiros, e pretende atravessar a Ponte Preta no Rio.

O Flu (5º) também espia o G-4, mas antes precisa fazer bom resultado nos Aflitos.

De olho em tudo isso estará você, torcedor brasileiro. Enquanto o segundo tempo da decisão não começa, o melhor programa é apreciar os gols da rodada no show do intervalo.
Não saia daí, voltamos já. (ThinkStock)

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Injustus ludopedium

Telão, telão meu. Existe alguém mais amarel...
A boa campanha dos portugueses na UEFA Euro 2012 esbarrou no travessão de Casillas, que ainda queimou as luvas em uma oportunidade, assim como o patrício Rui. Cesc Fàbregas jogou a pá de cal convertendo com perfeição a cobrança derradeira.

Assim várias perguntas são deixadas sem respostas.

Por que raios o Bruno Alves, que já fora trocado por Nani na terceira cobrança, ainda voltou para bater o quarto, ó pá?
Além de ter que contar com a sorte aliada à competência, é importante para o jogador estar bem fisicamente e psicologicamente em uma hora dessas.

Por que Portugal não emplaca quando chega a hora da verdade?
E olha que o título europeu já esteve muito mais perto dos lusos, jogando em casa há oito anos, contra a Grécia. Talvez a maior zebra do futebol do terceiro milênio.
Sim, maior que o Mazembe...

Por que haveria de concordar com o contrariado Ronaldo quando, ao perceber que não teria a chance de recolocar Portugal no páreo, gritou "Injustiça!" por entre os dentes?
O que vi foi Portugal levar aos pênaltis o duro jogo contra um time muito superior, campeão da Europa e do mundo, após superar todas as expectativas saindo ileso do grupo da morte.

Ou será que vi errado?

Será que o futebol nos reserva ainda mais "injustiças" para hoje à noite?
Ao menos a última pergunta será respondida, dentro de poucas horas. Talvez em português, talvez em castelhano.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Great times are coming



Independente do que aconteça, a semana que começa já é histórica.

Você já arrisca algum palpite?
Para os corintianos, eu diria inesquecível. O time reserva acaba de vencer de virada o maior rival e vai à Bombonera decidir pela primeira vez uma Copa Libertadores. Se o fim da última frase soa surreal para você, só há duas opções: ou você é anti-corintiano fervoroso e ainda não quer acreditar no que está acontecendo ou esteve em coma nos últimos meses e não viu os comandados de Tite eliminarem o atual campeão da América.

Os hermanos do Boca, donos de uma das camisas mais pesadas da Sul América, sonhavam com uma tríplice coroa, mas viram o Arsenal de Sarandí vencer o Apertura pela primeira vez. Para tentar igualar o Indepediente como o maior campeão da Libertadores (7x), todas as atenções se voltam ao Corinthians, que está louco para finalmente carimbar o passaporte.

Enquanto isso, no Velho Continente, as semis se desenharam sem surpresas. CR7 vem mandando bem, mas dará de cara com seus velhos conhecidos espanhóis. Do outro lado, a Alemanha vem sobrando e encara os azarões italianos, que suaram nos pênaltis para passar pelo limitado time inglês.

A italianada suou frio mesmo foi quando baixou o espírito de Loco no Pirlo... Mamma mia!

Acredito que a maioria espera por uma final entre Espanha e Alemanha, que realmente são as duas melhores seleções do planeta hoje. Mas não custa nada lembrar que na mesma Europa vimos Real e Barça caírem do pedestal do favoritismo na Champions League 2011/2012.


Por fim, o Brasileirão, que ainda está no começo. Ainda tem um ano inteiro para recuperar os pontos perdidos. Santos e Palmeiras só podem estar pensando assim, pois ainda não ganharam de ninguém após seis das 38 rodadas. Será possível que os octacampeões passarão por perrengues em 2012? Bom, problema deste tamanho relegaria o tal do apocalipse a segundo plano em dezembro.

Na ponta de cima, o Atlético Mineiro, como em todo começo de campeonato. Agora vai, Ronaldinho? A outra metade de BH (desculpa, América) também ri a toa, e na frente do rival. Celso Roth acertou a cozinha celeste lá atrás e Montillo ressuscitou contra o ex-líder Vasco da Gama.

Noves fora, esse foi o balanço do BR-12 até aqui: o Fluminense emendou duas goleadas, o Inter se recuperou em Recife e o São Paulo está de ressaca pós-eliminação. Os tricolores paulistas vestiram os famigerados narizes de palhaço e pretendem organizar um tal projeto "Morumbi Zero". Já os tricolores do Sul trataram de levantar logo a cabeça e o Flamengo foi derrubado pela avalanche do Olímpico.

Próxima parada: La Bombonera, quarta-feira, dez da noite. O caldeirão vai pulsar. Assim como os alvinegros devem fazer festa sem igual na semana seguinte.

Mais uma semana de futebol. Mais uma semana de muita história para contar.

Forte parceria xeneize com a indústria do papel higiênico


Assim fica fácil decorar o hino, malandrão! Belo mosaico

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Kajobs Reloaded: a volta do que não se foi

Olha a gente aqui de novo. Quatrocentos dias se passaram. 400!

A essa altura, crianças nascidas depois da minha última postagem no blog já sabem dançar o tchu-tcha-tchá e todas as modinhas de Neymar.

Na entressafra ociosa desse blogueiro por esporte também deu tempo do Brasil perder um caminhão de pênaltis e fracassar na Copa América. Quem não repetiu nenhuma piadinha do Elano que atire a primeira pedra... Falando em Elano, pudemos ver o Santos ser tri da Libertadores e cozinhar o BR-11 em banho-maria pensando no Messi. Brasileirão que foi faturado pelo Corinthians, na excelência da sua volância.

Se a galera do Barcelona impediu o trimundial, o Peixe abriu o ano de seu centenário com a trinca consecutiva do Paulista - sobre o valente time do Guarani - e tenta voltar ao Japão papando mais uma Liberta. Só que tem parada duríssima na semifinal. Os corintianos estão otimistas como nunca. Não vêem a hora do time de melhor defesa da história do torneio consolidar a (mínima) vantagem construída na vila famosa e fazer uma final inédita. Tudo indica que com o Boca, o terror dos brasileiros.

Apesar de hoje ser quase um feriado em São Paulo devido à grandeza da partida, é claro que o mundo do futebol não se resume a Corinthians e Santos. A Copa do Brasil pode ter choque-rei na final, desde que palmeirenses e tricolores mantenham-se à frente no placar dos jogos de 180 minutos. Mas Grêmio e Coritiba são ótimos times e dificultam a vida dos palpiteiros de plantão.

Temos ainda comendo solta a UEFA Euro 2012. As quartas-de-final foram definidas ontem e a expectativa é de grandes jogos daqui pra frente. Entre amanhã e domingo, pela ordem: República Tcheca x Portugal; Alemanha x Grécia; Espanha x França e Inglaterra x Itália.

Bom, imagino que o time de todo mundo jogue ao menos uma vez entre hoje e domingo. Então muita cerveja e futebol para todos vocês, sejam dois, três ou cem leitores desse blog, que inclusive está de roupa nova para comemorar a recarga de bateria. E aos colegas do ATC, fiquem tranquilos, pois continuarei firme e forte defendendo as cores do meu time no espaço reservado.

Ah, boa sorte aos roedores de unha hoje à noite...

Destaques individuais do clássico da noite na Libertadores
(Fotos: Ari Ferreira e Ricardo Saibun/Santos FC)

sábado, 14 de maio de 2011

7x: O que há de errado com o tricolor

“Me sinto envergonhado. Se eu pudesse, colocava a cabeça no buraco e me escondia. Ser eliminado dessa forma não dá.”
“Nunca fui tão humilhado em minha carreira. Mereço respeito.”

Não, não são declarações da equipe do Palmeiras após o vexame em Curitiba, há 10 dias. Essas são falas de Rogério Ceni e Rivaldo, respectivamente, após derrota para o Avaí e eliminação na Ressacada.

Mas é pra tanto?

O "rapa" no tricolor já fez a primeira vítima:
PC Carpegiani.
 (Warner Music)
Por que o SPFC não dá liga?
1) Ultimamente a diretoria tem se preocupado mais com a parte “veremos quem manda mais” do que com a “joguemos para ganhar tudo”. Briguinhas de bastidores, polêmicas sobre sucessão de cargos políticos, contratações não tão acertadas... Caramba, estou falando do São Paulo, o exemplo em administração no futebol!
>> Exemplo de administração, superioridade absoluta no Brasil em todos os sentidos, o time que não tem crise: estes chavões soberbos estão mais do que batidos.

2) O São Paulo é um time cheio de atacantes com características individualistas. A maioria vive de fases e é inconstante dentro da equipe. Com exceção de Dagoberto, que parece ter finalmente desencantado em 2011 (mas isso só o Brasileirão poderá nos dizer), temos vários bons jogadores que não conseguem se firmar.
>> Culpa do técnico? Talvez, se não fossem dadas tantas chances a todos eles, em tudo quanto é esquema ou posição.

3) Olhando para o meio-campo do São Paulo, vemos Lucas, que começa a sentir o que é a pressão da torcida, assim como Kaká, Julio Baptista e até Luis Fabiano já sentiram. Ontem o garoto era “a joia do Morumbi”. Hoje, já não passa de mais um “pipoqueiro”... Façam-me o favor!
Ao lado dele, PCC contava com Ilsinho, que hoje também seria titular em qualquer time do Brasil. Nenhum dos dois poderia reclamar por falta de oportunidades, pelo contrário. É difícil quando os dois podem jogar.
Ainda temos Rivaldo. A história riquíssima do camisa 10 no futebol mundial não basta para que ele seja titular absoluto do time, tem que estar bem para começar jogando. E infelizmente o ex-melhor do mundo não vingou no tricolor, essa é a verdade. Depois de estreia promissora, nunca mais se viu aquele futebol que todos imaginavam que ele ainda mostraria. Todos sabem que, do alto de seus 38 anos de idade, Rivaldo não tem como acompanhar a correria da molecada. Mas sua capacidade com a bola nos pés, principal motivo da sua contratação, não está sendo aproveitada. Perseguição do técnico? Balela.
>>Jogador pode até ser titular apenas pela fase boa, mas não por apenas ter seu nome reconhecido. É preciso mostrar no dia-a-dia, nos treinos, para que veio e o que quer. Rivaldo é ídolo nacional, mas nem por isso deve ser intocável no SPFC.

O jogador-presidente não encontrou em quem mandar no São Paulo.
Chiou, falou demais e manteve as palavras.
(AE)

4) Laterais. Enquanto o recém-contratado Juan tomou conta da esquerda, como não poderia deixar de ser (mas também se esperava mais dele), o eternamente improvisado Jean não enche mais os olhos da exigente torcida. Marca bem, mas quando sobe ao ataque é uma lástima.

5) Ah, a zaga... Como é que um trio de zaga formado por ninguém menos que Alex Silva, Miranda e Rhodolfo não para de tomar gols? O que há de errado com o Pirulito? Será que o Miranda desaprendeu? Rhodolfo parece ser o mais lúcido no sistema defensivo do time nesta temporada, e de quebra, vem marcando seus gols. Xandão faz o que pode, mas quando substitui algum deles, é limitado. O Santos que o diga.
>> Enquanto Juvenal nem sabe se poderá contar com os dois carecas para o Brasileirão (ops, o Miranda já foi vendido), Rhodolfo por enquanto está livre de contestação. Ponto para Carpegiani, que no início do ano o indicou para o time no lugar de Coattes, preferência da diretoria.

6) Voltando ao Rivaldo. ENORME MANCADA ao disparar contra Carpegiani, passando toda a pressão do time para as costas de um personagem só. Não sei por que, mas me vieram o Uzbequistão e o Scolari à mente agora...
Sir Juvenal decidiu ficar do lado do jogador, posição mais confortável para quem bancou sua arriscada vinda e pode muito bem contratar um Cuca da vida daqui a uns dias.
- Contatar e contratar técnico já empregado... ‘Pode isso, Arnaldo’? [/Galvão]
- Meu caro, esta é a coisa mais normal do mundo. [/Juvenal]

7) A torcida está corretíssima em não tolerar um time sem aquela gana, aquela vontade de jogar para ser campeão. É com isso que ela foi muito bem acostumada nos últimos anos. Só não pode mais uma vez crucificar os caras errados.

>> E nisso, a nação são-paulina é mestra.

Apesar da forma como o time tomou os gols e de como se portou em campo, Ceni não deveria temer tanto pela colocação final do São Paulo no Brasileirão 2011.