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sábado, 14 de maio de 2011

7x: O que há de errado com o tricolor

“Me sinto envergonhado. Se eu pudesse, colocava a cabeça no buraco e me escondia. Ser eliminado dessa forma não dá.”
“Nunca fui tão humilhado em minha carreira. Mereço respeito.”

Não, não são declarações da equipe do Palmeiras após o vexame em Curitiba, há 10 dias. Essas são falas de Rogério Ceni e Rivaldo, respectivamente, após derrota para o Avaí e eliminação na Ressacada.

Mas é pra tanto?

O "rapa" no tricolor já fez a primeira vítima:
PC Carpegiani.
 (Warner Music)
Por que o SPFC não dá liga?
1) Ultimamente a diretoria tem se preocupado mais com a parte “veremos quem manda mais” do que com a “joguemos para ganhar tudo”. Briguinhas de bastidores, polêmicas sobre sucessão de cargos políticos, contratações não tão acertadas... Caramba, estou falando do São Paulo, o exemplo em administração no futebol!
>> Exemplo de administração, superioridade absoluta no Brasil em todos os sentidos, o time que não tem crise: estes chavões soberbos estão mais do que batidos.

2) O São Paulo é um time cheio de atacantes com características individualistas. A maioria vive de fases e é inconstante dentro da equipe. Com exceção de Dagoberto, que parece ter finalmente desencantado em 2011 (mas isso só o Brasileirão poderá nos dizer), temos vários bons jogadores que não conseguem se firmar.
>> Culpa do técnico? Talvez, se não fossem dadas tantas chances a todos eles, em tudo quanto é esquema ou posição.

3) Olhando para o meio-campo do São Paulo, vemos Lucas, que começa a sentir o que é a pressão da torcida, assim como Kaká, Julio Baptista e até Luis Fabiano já sentiram. Ontem o garoto era “a joia do Morumbi”. Hoje, já não passa de mais um “pipoqueiro”... Façam-me o favor!
Ao lado dele, PCC contava com Ilsinho, que hoje também seria titular em qualquer time do Brasil. Nenhum dos dois poderia reclamar por falta de oportunidades, pelo contrário. É difícil quando os dois podem jogar.
Ainda temos Rivaldo. A história riquíssima do camisa 10 no futebol mundial não basta para que ele seja titular absoluto do time, tem que estar bem para começar jogando. E infelizmente o ex-melhor do mundo não vingou no tricolor, essa é a verdade. Depois de estreia promissora, nunca mais se viu aquele futebol que todos imaginavam que ele ainda mostraria. Todos sabem que, do alto de seus 38 anos de idade, Rivaldo não tem como acompanhar a correria da molecada. Mas sua capacidade com a bola nos pés, principal motivo da sua contratação, não está sendo aproveitada. Perseguição do técnico? Balela.
>>Jogador pode até ser titular apenas pela fase boa, mas não por apenas ter seu nome reconhecido. É preciso mostrar no dia-a-dia, nos treinos, para que veio e o que quer. Rivaldo é ídolo nacional, mas nem por isso deve ser intocável no SPFC.

O jogador-presidente não encontrou em quem mandar no São Paulo.
Chiou, falou demais e manteve as palavras.
(AE)

4) Laterais. Enquanto o recém-contratado Juan tomou conta da esquerda, como não poderia deixar de ser (mas também se esperava mais dele), o eternamente improvisado Jean não enche mais os olhos da exigente torcida. Marca bem, mas quando sobe ao ataque é uma lástima.

5) Ah, a zaga... Como é que um trio de zaga formado por ninguém menos que Alex Silva, Miranda e Rhodolfo não para de tomar gols? O que há de errado com o Pirulito? Será que o Miranda desaprendeu? Rhodolfo parece ser o mais lúcido no sistema defensivo do time nesta temporada, e de quebra, vem marcando seus gols. Xandão faz o que pode, mas quando substitui algum deles, é limitado. O Santos que o diga.
>> Enquanto Juvenal nem sabe se poderá contar com os dois carecas para o Brasileirão (ops, o Miranda já foi vendido), Rhodolfo por enquanto está livre de contestação. Ponto para Carpegiani, que no início do ano o indicou para o time no lugar de Coattes, preferência da diretoria.

6) Voltando ao Rivaldo. ENORME MANCADA ao disparar contra Carpegiani, passando toda a pressão do time para as costas de um personagem só. Não sei por que, mas me vieram o Uzbequistão e o Scolari à mente agora...
Sir Juvenal decidiu ficar do lado do jogador, posição mais confortável para quem bancou sua arriscada vinda e pode muito bem contratar um Cuca da vida daqui a uns dias.
- Contatar e contratar técnico já empregado... ‘Pode isso, Arnaldo’? [/Galvão]
- Meu caro, esta é a coisa mais normal do mundo. [/Juvenal]

7) A torcida está corretíssima em não tolerar um time sem aquela gana, aquela vontade de jogar para ser campeão. É com isso que ela foi muito bem acostumada nos últimos anos. Só não pode mais uma vez crucificar os caras errados.

>> E nisso, a nação são-paulina é mestra.

Apesar da forma como o time tomou os gols e de como se portou em campo, Ceni não deveria temer tanto pela colocação final do São Paulo no Brasileirão 2011.

domingo, 24 de abril de 2011

Qual a importância de um título estadual?

Antes que eu ouça o coro de “nenhuma!”, digo que sim, um título estadual tem o seu valor.

Já foi o tempo em que um campeonato estadual era o mais importante do ano. Até os anos 50 e 60, era muito mais comemorado do que é hoje, até por ainda não haver uma competição de abrangência nacional. Mas os clubes não são os mesmos? Onde ficou perdida a importância de levantar uma taça tão tradicional do futebol brasileiro? 

Em 2005, ano da Libertadores e do Mundial, o Tricolor ganhou também seu último Paulistão.
De fora das competições internacionais, neste ano é o dono da melhor campanha da 1ª fase.
(AE)

- Um título desses não quer dizer nada... Só assim pro meu time ganhar alguma coisa!
- Ah, depois que eu ganhar o Paulistão eu serei classificado a quê?

- Nem tem graça, no meu estado só tem dois times, o resto é amistoso...

Pois é, há quem não dê a mínima para os estaduais. Há quem ache que eles só atrapalham o primeiro semestre dos clubes, espremendo o calendário. Há quem ache que o nível deles é fraco.

Contrário à maioria, defendo os estaduais como aquele “esquenta” dos times grandes para a temporada. É a hora de deixar o time encaixadinho para o Brasileirão. Também é a oportunidade que muitos clubes do interior não conseguem na Copa do Brasil, de serem vistos por mais gente. Fora isso, as rivalidades regionais são um campeonato à parte, e estimulam a torcida.

Em jogos como esse, ninguém se importa se é estadual, intercontinental ou futebol de botão.
(novohamburgo.org)

Claro, os regulamentos são mal formulados. E esse é o problema a ser corrigido. O Paulistão, mesmo carregando a fama de ser o estadual mais disputado do Brasil, é muito extenso. E é tão simples organizar fórmulas mais curtas de campeonato, que se torna incompreensível o fato da FPF manter longas 19 rodadas se arrastando pelos primeiros meses do ano.

Em um torneio inchado como o Paulista, não há necessidade de todos jogarem contra todos. A forma como são disputados o Carioca e o Gaúcho, em dois turnos, são bem mais interessantes.

Muito se questiona sobre como serão definidos os finalistas em São Paulo, já que após quase 20 jogos na primeira fase, os quatro primeiros não levam nenhuma vantagem para o mata-mata, além do mando de campo em jogo único. O curioso é que em campeonatos como esse, que não tem um regulamento padrão todos os anos, a cada mudança muito se fala, muito se critica, mas antes da primeira rodada, todos os presidentes assinaram concordando. Como diz o Felipão, depois o que resta é calar-se e jogar bola.

Dos quatro grandes, o Palmeiras de Scolari é o de campanha mais surpreendente.
Privilegiando o fortalecimento do setor defensivo, é o que menos perdeu, sofrendo 8 gols em 19 jogos.
(AE)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Velho jeito moleque [2]

Lucas acabaria perdendo a paciência com o seu carrapato. Ambos levaram o vermelho.
(Futura Press)


Se Neymar já não surpreende mais ninguém a cada expulsão, Lucas mostrou a todos que também tem o que aprender para não acabar prejudicando o time em jogos decisivos. Mas antes, o jogo.

Pela distância entre as Séries A e D do Campeonato Brasileiro, alguns até diriam que em Barueri o São Paulo não daria chance e atropelaria o Santa Cruz.

Pelo jogo de ida no Arruda, todos sabiam que seria pedreira. E como foi suada a classificação!

O Santa se propôs apenas a uma coisa: não deixar o São Paulo jogar. Até conseguiu por muito tempo, mas ao contrário de semana passada, falhou.
Falhou primeiramente no gol de cabeça do zagueiro Rhodolfo, aos dez da primeira etapa. Como faz gol o Rhodolfo! Dessa vez a cambalhota deu certo, mas ainda pode melhorar... Suas atuações seguras também na marcação, antecipação e no posicionamento lhe renderam a titularidade absoluta num time que já conta com excelentes opções, entre elas (ainda) Miranda. Alex Silva também fez grande partida.

Cenas incomuns foram presenciadas pelos torcedores na Arena. Éverton Sena colou em Lucas de tal maneira que não o deixou sozinho nem na formação de barreira. Isso que é seguir o comando à risca!

Outra coisa que não se vê todo dia é goleiro fazendo gol. Goleiro fazendo 100 gols então, nem se fala. Para isso, o futebol conta com Rogério Ceni. Mas dessa vez o lendário goleiro-artilheiro abriu mão da eficiência de sempre e quis surpreender com uma cavadinha, sendo bem infeliz: Tiago Cardoso não foi na dele e agarrou a cobrança no centro do gol.

O jogo foi até mais pegado do que o esperado, com o time todo do Santa chegando junto nos 90 minutos. Oito amarelos. Quatro expulsões. Alta tensão em partida que se encaminhava para a disputa de penalidades.

Carpegianni, como de costume, mexeu na estrutura do time, sacando Casemiro e dando lugar ao habilidoso Ilsinho. Foi dele a jogada do gol da classificação para as oitavas de final, tabelando com Willian José (excelente pivô do garoto!). Dois a zero, e vaga assegurada. Mas o jogo não acabara por aí.

Reserva de luxo, Ilsinho arma o chute para decidir jogo tenso na Arena Barueri.

(Miguel Schincariol/Lancepress)

Éverton Sena e Lucas ficaram tão grudados durante os dois jogos que teriam que sair de campo de maneira diferente. E assim o juiz o fez. Exageradamente ou não, mandou os dois pra fora, alegando ter visto uma cotovelada no 7 coral, após a enésima falta feia sofrida pelo 7 sãopaulino.

Mas Lucas chamou mesmo a atenção por sua reação após o ocorrido. Revoltado com a decisão do árbitro, o menino descontrolou-se e foi pra cima do homem de amarelo. Deu trabalho para sair de campo, e a dura que ele ouviu do técnico não foi brincadeira.

Com a cabeça mais fria, certamente o craque deve ter se arrependido do que fez, e principalmente aprendido com o erro. Caso o São Paulo precisasse ainda mais de seu talento em campo, numa eventual situação adversa da partida, seu choro no vestiário teria sido muito mais amargo.

Os meninos também têm o direito de errar. Basta esperteza para corrigir-se enquanto há tempo.

E tempo... Tempo eles têm de sobra, sobretudo para fazer o que mais sabem: encantar a todos nós, amantes do futebol.