quinta-feira, 7 de abril de 2011

Velho jeito moleque [2]

Lucas acabaria perdendo a paciência com o seu carrapato. Ambos levaram o vermelho.
(Futura Press)


Se Neymar já não surpreende mais ninguém a cada expulsão, Lucas mostrou a todos que também tem o que aprender para não acabar prejudicando o time em jogos decisivos. Mas antes, o jogo.

Pela distância entre as Séries A e D do Campeonato Brasileiro, alguns até diriam que em Barueri o São Paulo não daria chance e atropelaria o Santa Cruz.

Pelo jogo de ida no Arruda, todos sabiam que seria pedreira. E como foi suada a classificação!

O Santa se propôs apenas a uma coisa: não deixar o São Paulo jogar. Até conseguiu por muito tempo, mas ao contrário de semana passada, falhou.
Falhou primeiramente no gol de cabeça do zagueiro Rhodolfo, aos dez da primeira etapa. Como faz gol o Rhodolfo! Dessa vez a cambalhota deu certo, mas ainda pode melhorar... Suas atuações seguras também na marcação, antecipação e no posicionamento lhe renderam a titularidade absoluta num time que já conta com excelentes opções, entre elas (ainda) Miranda. Alex Silva também fez grande partida.

Cenas incomuns foram presenciadas pelos torcedores na Arena. Éverton Sena colou em Lucas de tal maneira que não o deixou sozinho nem na formação de barreira. Isso que é seguir o comando à risca!

Outra coisa que não se vê todo dia é goleiro fazendo gol. Goleiro fazendo 100 gols então, nem se fala. Para isso, o futebol conta com Rogério Ceni. Mas dessa vez o lendário goleiro-artilheiro abriu mão da eficiência de sempre e quis surpreender com uma cavadinha, sendo bem infeliz: Tiago Cardoso não foi na dele e agarrou a cobrança no centro do gol.

O jogo foi até mais pegado do que o esperado, com o time todo do Santa chegando junto nos 90 minutos. Oito amarelos. Quatro expulsões. Alta tensão em partida que se encaminhava para a disputa de penalidades.

Carpegianni, como de costume, mexeu na estrutura do time, sacando Casemiro e dando lugar ao habilidoso Ilsinho. Foi dele a jogada do gol da classificação para as oitavas de final, tabelando com Willian José (excelente pivô do garoto!). Dois a zero, e vaga assegurada. Mas o jogo não acabara por aí.

Reserva de luxo, Ilsinho arma o chute para decidir jogo tenso na Arena Barueri.

(Miguel Schincariol/Lancepress)

Éverton Sena e Lucas ficaram tão grudados durante os dois jogos que teriam que sair de campo de maneira diferente. E assim o juiz o fez. Exageradamente ou não, mandou os dois pra fora, alegando ter visto uma cotovelada no 7 coral, após a enésima falta feia sofrida pelo 7 sãopaulino.

Mas Lucas chamou mesmo a atenção por sua reação após o ocorrido. Revoltado com a decisão do árbitro, o menino descontrolou-se e foi pra cima do homem de amarelo. Deu trabalho para sair de campo, e a dura que ele ouviu do técnico não foi brincadeira.

Com a cabeça mais fria, certamente o craque deve ter se arrependido do que fez, e principalmente aprendido com o erro. Caso o São Paulo precisasse ainda mais de seu talento em campo, numa eventual situação adversa da partida, seu choro no vestiário teria sido muito mais amargo.

Os meninos também têm o direito de errar. Basta esperteza para corrigir-se enquanto há tempo.

E tempo... Tempo eles têm de sobra, sobretudo para fazer o que mais sabem: encantar a todos nós, amantes do futebol.

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