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sábado, 15 de setembro de 2012

Série Campeões: VAI, CORINTHIANS! *


Vai, Corinthians! Vai para as ruas, vai para o abraço do torcedor que te ama, vai para o pódio, vai levantar a taça que você tanto sonhou... Vai atravessar o mundo. Vai para o Japão!

Os Libertados da América (Ivan Pacheco)

Cássio, Alessandro, Chicão, Leandro Castán, Fábio Santos, Ralf, Paulinho, Alex, Danilo, Jorge Henrique, Emerson, Julio Cesar, Danilo Fernandes, Welder, Marquinhos, Wallace, Ramón, Willian Arão, Ramírez, Douglas, Romarinho, Gilsinho, Willian, Elton, Liedson e Tite. Nomes que não vão constar em livros de História, mas estarão eternamente dentro dos corações e da memória de milhões de pessoas, que ensinarão aos filhos e netos quem foram eles, e o que foi o 4 de julho de 2012 para a nação corintiana. O dia da libertação. O dia da Libertadores.

A vitória por 2 a 0, na noite desta quarta-feira, no Pacaembu, sobre o gigantesco Boca Juniors, de tradições e glórias mil, de seis títulos sul-americanos, torna ainda mais gigantesca a conquista inédita. E mais: de forma invicta, algo que só um time brasileiro havia conseguido - o Santos de Pelé, em 1963. A taça da Libertadores, enfim, tem uma plaquinha do Corinthians.

O triunfo final sobre os argentinos selou a campanha com identidade. De um time sem estrela, que não se assustou com placares adversos, rivais tradicionais ou craques do outro lado. Que não se pressionou por nada e encontrou o equilíbrio (palavra idolatrada por Tite) entre lutar a cada centímetro de grama pela Libertadores sem tratá-la como um campeonato do outro mundo.

De 6 a 16 de dezembro, o Corinthians tentará o bicampeonato mundial. Dessa vez, sem convite, sem a chance de enfrentar um brasileiro na final e tendo que ir ao Japão. Bem diferente de 2000, quando bateu o Vasco na decisão, no Maracanã. Um mundial para ninguém botar defeito. Monterrey (MEX), Auckland City, da Nova Zelândia, e o poderoso Chelsea (ING) já estão classificados para a competição no fim do ano.

O desconhecido grandalhão se fez gigante: milhões de gritos fizeram ecoar o nome do goleiro Cássio (Sérgio Barzaghi/Gazetapress
Duelo de titãs nas semifinais: o então campeão Santos ficou pelo caminho (Divulgação)

O conjunto foi o maior destaque desse time de operários.
Jogadores do povo, com estrelas de campeão
 (Marcelo Pereira/Terra)

Mais luta do que futebol

O Corinthians entrou em campo invicto na Libertadores. O Boca Juniors foi ao Pacaembu sem ter perdido nenhum jogo fora de casa. Jogaço? Lutaço! Os primeiros minutos fizeram inveja a Anderson Silva e Chael Sonnen. Soco de Chicão em Mouche, empurrão de troco, tapa de Erviti em Paulinho... Mais tarde, ainda haveria exibição de "El Tanque" Santiago Silva, com cotovelada em Castán e tentativa de imobilização em Ralf.

Futebol mesmo apareceu pelos pés de Sheik. Com velocidade, ousadia e toques rápidos, o camisa 11 era quem menos tinha medo da decisão. Ousadia que provocou o maior drama do primeiro tempo: um choque entre Somoza e o goleiro Orion.

O camisa 1 do Boca caiu por três vezes no chão e não suportou a dor. Saiu aos prantos, consolado pelo técnico, o ex-goleiro Julio César Falcioni. E por ironia do destino, o reserva Sosa, pouco mais de um ano depois, voltou ao Pacaembu. Era ele o goleiro do Peñarol (URU), que perdeu a final da Libertadores de 2011 para o Santos.

Alex não confiou nem em Orion nem em Sosa. Tentou quatro finalizações de fora da área, sem sucesso. Do outro lado, Riquelme, que antes do jogo tomava água e gargalhava, foi só rascunho do grande jogador que entrou para a história. Era constrangedor seu esforço, em vão, para correr e achar os companheiros, limitados tecnicamente. Fim de primeiro tempo com a certeza de que o segundo não poderia ser pior.

Ele resolve. E ponto. (AFP)

Sheik para a história

O empate levaria o jogo para a prorrogação, e Riquelme, que mal conseguia jogar 90 minutos, parecia querer disputar 120. Rolou no chão, demorou para cobrar escanteio, mexeu com o equipamento dos fotógrafos e fez falta digna de jogador juvenil. Na cobrança, a bola esperou por um toque consciente, que veio do calcanhar de Danilo. Sheik, no lugar certo, na hora certa, fuzilou Sosa e deixou o Pacaembu em êxtase.

A vantagem expôs ainda mais a limitação do Boca. Riquelme, em atuação de dar pena, não criou nada. O único recurso, mesmo depois que Falcioni colocou o atacante Cvitanich no lugar do meia Ledesma, eram os cruzamentos. Os argentinos abriram o meio e se cansaram, cenário dos sonhos para o Corinthians garantir o título invicto (oito vitórias e seis empates).

Mouche, sozinho, teve a única boa chance dos visitantes durante o jogo. Cabeceou nas mãos de Cássio. Uma caridade do atacante para que o goleiro, brilhante no mata-mata, pudesse aparecer na decisão. Riquelme, de 34 anos, não era o único "velhinho" cambaleante em campo. Schiavi, aos 39, errou passe fácil no campo de defesa. Deu nos pés de quem não poderia dar. Daquele que nasceu para ser vencedor. Tricampeão brasileiro nos últimos três anos, Emerson arrancou para a glória definitiva. Deixou Caruzzo para trás como se o rival nem existisse e tocou com categoria. Não parou de correr nem na comemoração, quando foi perseguido pelo preparador físico Fábio Mahseredjian, outro craque desse título.

Daí para frente foi só festa. O Boca não tinha mais o que fazer, e os "antis" já nem secavam mais. A torcida orgulhosa por ter sido fiel e Fiel na Libertadores, viajou por alguns segundos. Lembrou-se do vacilo de Guinei, da cobrança de pênalti de Marcelinho Carioca, do "pega, pega" do Morumbi, do gol de Vágner Love e de ter descoberto quem era o Tolima. Exemplos que invertem a letra do hino. Teu passado é uma lição. Teu presente, uma bandeira.

Enquanto os adversários terão de pensar em novas brincadeiras a partir de agora, a torcida grita "É campeão!". Duas palavras que valem mais do que todas escritas acima.


* por Alexandre Lozetti, em 05/07/2012 para o Globo.com

sábado, 30 de junho de 2012

Show do intervalo

Eis que o primeiro tempo da decisão da América termina empatado. Pelas circunstâncias, a segunda parte do confronto começa melhor para o time brasileiro. O garoto Romarinho virou definitivamente o mais novo xodó da torcida, ao calar a Bombonera numa boa, como se não houvesse nada mais a sua volta. Nenhum peso, nenhum obstáculo, nada.
Uma ilha de tranquilidade na pulsante 'catedral do futebol'. Gol. (Djalma Vassão/Gazeta Press)

Encobrindo Orion com espantosa calma e sutil consciência, o rapaz de Palestina (SP) derramou um belo balde de água gelada na festa argentina, que até os 85 minutos de jogo fazia todo o estádio tremer. Ao menos Romarinho não tremeu. Longe disso!

Instantes depois, o corintiano quase engasga com o coração que veio à Boca, no lance que la pelota de Viatri explodiu no travessão, voltou para a testa de Cvitanich e rosqueou para fora do gol. Sorte de campeão?

Falando em campeão, teremos taça levantada já no domingo. Enquanto o segundo tempo da decisão de 180 minutos não começa, fiquemos com as atrações do intervalo: domingo tem final da UEFA Euro em Kiev, entre Espanha e... Itália! Não é que a squadra azzurra passou pelo ótimo time alemão?

Por mais marrento que seja, Balotelli vem merecendo aplausos. Decidiu se tornar o verdadeiro Super Mario da Eurocopa até aqui, anotando gols importantes e chegando à final como o maior trunfo italiano. Ao contrário da Espanha, a Itália tem um camisa 9 com moral elevado para o duelo. 
Super Marra: 'Comemorar gol por quê? O carteiro vibra quando entrega carta?' (Agence France Presse)

Para tentar o bi consecutivo, a Fúria tem um time mais técnico. Toca a bola de um lado para o outro até que, de repente, aparece alguém de cara para o gol. Na última decisão de UEFA Euro, teve El Niño varrendo a Alemanha de uma vez só. Na última decisão de Copa, o nome do 1x0 foi Andrés Iniesta.

Enquanto estiveram no grupo C, as duas seleções finalistas do próximo domingo empataram em 1x1, em jogo que Fernando Torres perdeu chances preciosas de gol. A Itália acaba de bater o bicho-papão alemão e a Espanha passou pelos portugueses a duros pênaltis. Atração imperdível. A dimensão do que representa o encerramento da UEFA Euro 2012 fez a Globo/CBF remanejar os horários da 7ª rodada do Brasileirão, para transmissão da final. 

Brasileirão que teve mais alterações na tabela. O jogo entre Corinthians e Botafogo foi adiado, assim como vários compromissos do Santos tiveram datas modificadas em 2011. Detalhe: o Botafogo não tem nada a ver com o Corinthians estar na final continental. É com essa organização do improviso remendado e do favorecimento restrito a parceiros políticos que a CBF quer que um dia nosso campeonato se compare às maiores ligas europeias. Pífio.

Mas ainda há rodada, no fim das contas, com duelos interessantes. Destacando os primeiros colocados, teremos o Cruzeiro (1º) colocando a liderança à prova contra o São Paulo de Milton Cruz.

De olho nela está o Atlético Mineiro (2º), que vai com R49 ao Olímpico, na estreia de Zé Roberto pelo Grêmio (4º).

O Vasco (3º) está no retrovisor dos mineiros, e pretende atravessar a Ponte Preta no Rio.

O Flu (5º) também espia o G-4, mas antes precisa fazer bom resultado nos Aflitos.

De olho em tudo isso estará você, torcedor brasileiro. Enquanto o segundo tempo da decisão não começa, o melhor programa é apreciar os gols da rodada no show do intervalo.
Não saia daí, voltamos já. (ThinkStock)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Great times are coming



Independente do que aconteça, a semana que começa já é histórica.

Você já arrisca algum palpite?
Para os corintianos, eu diria inesquecível. O time reserva acaba de vencer de virada o maior rival e vai à Bombonera decidir pela primeira vez uma Copa Libertadores. Se o fim da última frase soa surreal para você, só há duas opções: ou você é anti-corintiano fervoroso e ainda não quer acreditar no que está acontecendo ou esteve em coma nos últimos meses e não viu os comandados de Tite eliminarem o atual campeão da América.

Os hermanos do Boca, donos de uma das camisas mais pesadas da Sul América, sonhavam com uma tríplice coroa, mas viram o Arsenal de Sarandí vencer o Apertura pela primeira vez. Para tentar igualar o Indepediente como o maior campeão da Libertadores (7x), todas as atenções se voltam ao Corinthians, que está louco para finalmente carimbar o passaporte.

Enquanto isso, no Velho Continente, as semis se desenharam sem surpresas. CR7 vem mandando bem, mas dará de cara com seus velhos conhecidos espanhóis. Do outro lado, a Alemanha vem sobrando e encara os azarões italianos, que suaram nos pênaltis para passar pelo limitado time inglês.

A italianada suou frio mesmo foi quando baixou o espírito de Loco no Pirlo... Mamma mia!

Acredito que a maioria espera por uma final entre Espanha e Alemanha, que realmente são as duas melhores seleções do planeta hoje. Mas não custa nada lembrar que na mesma Europa vimos Real e Barça caírem do pedestal do favoritismo na Champions League 2011/2012.


Por fim, o Brasileirão, que ainda está no começo. Ainda tem um ano inteiro para recuperar os pontos perdidos. Santos e Palmeiras só podem estar pensando assim, pois ainda não ganharam de ninguém após seis das 38 rodadas. Será possível que os octacampeões passarão por perrengues em 2012? Bom, problema deste tamanho relegaria o tal do apocalipse a segundo plano em dezembro.

Na ponta de cima, o Atlético Mineiro, como em todo começo de campeonato. Agora vai, Ronaldinho? A outra metade de BH (desculpa, América) também ri a toa, e na frente do rival. Celso Roth acertou a cozinha celeste lá atrás e Montillo ressuscitou contra o ex-líder Vasco da Gama.

Noves fora, esse foi o balanço do BR-12 até aqui: o Fluminense emendou duas goleadas, o Inter se recuperou em Recife e o São Paulo está de ressaca pós-eliminação. Os tricolores paulistas vestiram os famigerados narizes de palhaço e pretendem organizar um tal projeto "Morumbi Zero". Já os tricolores do Sul trataram de levantar logo a cabeça e o Flamengo foi derrubado pela avalanche do Olímpico.

Próxima parada: La Bombonera, quarta-feira, dez da noite. O caldeirão vai pulsar. Assim como os alvinegros devem fazer festa sem igual na semana seguinte.

Mais uma semana de futebol. Mais uma semana de muita história para contar.

Forte parceria xeneize com a indústria do papel higiênico


Assim fica fácil decorar o hino, malandrão! Belo mosaico

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Kajobs Reloaded: a volta do que não se foi

Olha a gente aqui de novo. Quatrocentos dias se passaram. 400!

A essa altura, crianças nascidas depois da minha última postagem no blog já sabem dançar o tchu-tcha-tchá e todas as modinhas de Neymar.

Na entressafra ociosa desse blogueiro por esporte também deu tempo do Brasil perder um caminhão de pênaltis e fracassar na Copa América. Quem não repetiu nenhuma piadinha do Elano que atire a primeira pedra... Falando em Elano, pudemos ver o Santos ser tri da Libertadores e cozinhar o BR-11 em banho-maria pensando no Messi. Brasileirão que foi faturado pelo Corinthians, na excelência da sua volância.

Se a galera do Barcelona impediu o trimundial, o Peixe abriu o ano de seu centenário com a trinca consecutiva do Paulista - sobre o valente time do Guarani - e tenta voltar ao Japão papando mais uma Liberta. Só que tem parada duríssima na semifinal. Os corintianos estão otimistas como nunca. Não vêem a hora do time de melhor defesa da história do torneio consolidar a (mínima) vantagem construída na vila famosa e fazer uma final inédita. Tudo indica que com o Boca, o terror dos brasileiros.

Apesar de hoje ser quase um feriado em São Paulo devido à grandeza da partida, é claro que o mundo do futebol não se resume a Corinthians e Santos. A Copa do Brasil pode ter choque-rei na final, desde que palmeirenses e tricolores mantenham-se à frente no placar dos jogos de 180 minutos. Mas Grêmio e Coritiba são ótimos times e dificultam a vida dos palpiteiros de plantão.

Temos ainda comendo solta a UEFA Euro 2012. As quartas-de-final foram definidas ontem e a expectativa é de grandes jogos daqui pra frente. Entre amanhã e domingo, pela ordem: República Tcheca x Portugal; Alemanha x Grécia; Espanha x França e Inglaterra x Itália.

Bom, imagino que o time de todo mundo jogue ao menos uma vez entre hoje e domingo. Então muita cerveja e futebol para todos vocês, sejam dois, três ou cem leitores desse blog, que inclusive está de roupa nova para comemorar a recarga de bateria. E aos colegas do ATC, fiquem tranquilos, pois continuarei firme e forte defendendo as cores do meu time no espaço reservado.

Ah, boa sorte aos roedores de unha hoje à noite...

Destaques individuais do clássico da noite na Libertadores
(Fotos: Ari Ferreira e Ricardo Saibun/Santos FC)