domingo, 12 de dezembro de 2010

Inter's Fight


Sempre que acaba o Brasileirão bate aquele clima de fim de feira. Ter que esperar o Estadual pra ver o time jogar é muita coisa. Não para quem joga, claro. Há aquele torcedor que se contenta com a Copinha, vendo a molecada de todos os cantos do Brasil (todos mesmo!) correndo atrás da bola logo após ter estourado o champanhe do Ano Novo. É, não dá pra negar que quase todo mundo se esquece do Mundial de Clubes.
Os que se importam em acompanhar o que seria a competição interclubes de gala da Fifa - além, é claro, dos colorados esse ano - ainda se dividem em dois grupos: os patriotas e os secadores de plantão. Os sãopaulinos logicamente pertencem ao segundo, já que os anos anteriores impuseram uma baita rivalidade entre os últimos brasileiros campeões do mundo.
A partir desta terça-feira 14, às 14h, eu vou aderir ao primeiro, o dos patriotas, como quase sempre. O Sport Club Internacional surpreendentemente chegou a Abu Dhabi com um leve favoritismo sobre o quase-xará italiano, pois todos sabem que os europeus dão "aquela importância" ao torneio, e o técnico Benitez está há tempos com a corda no pescoço. Mas é aquele negócio: se o europeu ganha, é porque confirma-se a superioridade; se perde, é porque não se importa tanto. Pura conversa fiada. As caras que os jogadores de Barcelona e Liverpool fizeram em 2005/2006 não foram das mais conformadas.
Toda a sorte do mundo aos torcedores que viajaram até o Oriente Médio para representar o país do futebol. Haja confiança, hein! E vamos lá, Inter... De Porto Alegre!

Técnicas de Reportagem e Entrevista - Jornalismo Literário

Dias de Branco
(por Alex Augusto, Felipe Soares e Samuel Rocha)

Sento-me mais uma vez no lugar de sempre, após mais um dia de trabalho. Os outros lugares, logicamente, estão vazios... Não passa de seis horas. Como todos os outros dias, acendo um cigarro e vejo-o queimar pacientemente enquanto aguardo minha cerveja, já conhecida pelo dono do bar. Dono do bar, este, que me cumprimenta efusivamente ao aparecer, convidando-me para “brincar” uma partida de sinuca. O jogo decorre sem muita conversa, não pela falta de intimidade entre os participantes, uma vez que sou cliente freqüente, mas pela falta de hábito, e de talento, de ambos em praticar aquela atividade. A última bola cai (minha, contando um pouco com a sorte), o jogo termina e volto para meu antigo lugar, me rendendo mais uma vez ao vício do tabaco.
Poucos minutos depois, meu derrotado adversário reaparece com a minha (ainda aguardada) cerveja e senta-se ao meu lado. Nesse momento, depois de olhar em volta despreocupadamente, Branco, o dono do bar, vira-se para mim e pergunta: “E aí Felipão, como estão as coisas?”. É nessa hora que, todos os dias, o Branco deixa de existir e entra em cena o José. José marido da Rosa, pai do Vinícius e do Dudu, como milhares de outros por aí afora. Só que, diferente de todos os outros e também de Branco, eu e José somos amigos.
Todos os dias, durante 15 ou 20 minutos, eu me encontro com José e conversamos exclusivamente sobre nossas vidas. Profundamente apegado a família, José me conta sobre as brincadeiras e a educação de seus filhos, sobre parentes que já não vê há muito e sente suas faltas e o quanto ama sua mulher. Também me conta sobre os problemas, as contas, os calotes, tudo. José se abre para mim tão sem reservas que certas vezes lamento não ter tanto o que dividir de volta, me limitando a ouvir em silêncio, até o segundo cliente do dia chegar e o mesmo se despedir de mim até o dia seguinte.
Por muitas vezes tentei imaginar José no convívio de sua casa, de seus amigos, mas sempre fui barrado pela figura de Branco, presente o resto da noite, o que me levava, em um exercício de imaginação, a tomar os atos de um como sendo os de outro, nas mais diferentes situações. Quando Branco ralha com algum cliente devido a insistência em não baixar o som após inúmeros pedidos, por exemplo, imagino José disciplinando um filho teimoso (e os dele sem dúvida são) que custa a seguir uma ordem do pai. Ou então, quando vejo Branco cobrar um fiado já de longa data a um mau pagador, penso em José analisando as contas e fazendo o orçamento do mês, a fim de suprir as necessidades de sua família.
Não que os dois não sejam parecidos, pelo contrário: qualquer pessoa que conheça apenas um dos dois confundiria o outro facilmente pela rua. Os dois têm os olhos claros e encabeçados por duas grossas sobrancelhas pratas, assim como seus cabelos, que somados às suas peles sulfite, definiram a alcunha do que mais vejo. Ambos também têm os dentes irregulares e o aspecto frágil, que é facilmente deixado de lado ante uma situação necessária. Ainda assim, José possui uma diferença gritante que, ironicamente, é percebida por poucos.
Aconteceu ao final de uma dessas noites, iguais tantas outras que passei por lá. Depois de horas tentando visualizar um traço que seja de José no Branco, levantei para me despedir do último. Com a mulher e os filhos já esperando no carro, Branco me cumprimentou e perguntou se eu voltava amanhã, como todas as noites. Mas, diferente das anteriores, dessa vez eu reparei em seu olhar, tão intenso que não pude deixar de perceber que aquele não era mais o Branco, já era José, partindo rumo sua vida normal de José. Respondi afirmativamente e, sorrindo, não pude ir antes de acrescentar, parafraseando minha mãe em relação aos dias de semana: “Lógico, amanhã é dia de branco!”.

Técnicas de Reportagem e Entrevista - Nota Esportiva para Rádio

Goleiro do Palmeiras é cobrado por seu profissionalismo

(29.11.2010) Parte da torcida do Palmeiras em Barueri fez com que o domingo do goleiro Deola fosse um verdadeiro inferno. Além de xingá-lo durante boa parte do jogo, o grupo que estava atrás do gol no primeiro tempo arremessou copos e garrafas no seu próprio goleiro.
O Palmeiras atravessou uma semana a ser esquecida, após a eliminação pela Sulamericana, na última quarta-feira. A torcida protestou dias antes na Academia de Futebol e exigia que o time entregasse o jogo, para prejudicar o rival Corinthians na busca pelo título.
Deola não imaginava que seria o alvo principal dos torcedores. Ainda no gramado após o jogo, disse que a torcida tem o direito de xingar e cobrar a eliminação, mas que ele não faria corpo mole em hipótese alguma.

Técnicas de Reportagem e Entrevista - Jornalismo Cultural

Critica do Álbum Usuário
(por Samuel Rocha e Lucas Heitor)

O álbum “Usuário” (1995) da banda Planet Hemp retrata bem a essência do grupo na época. O disco trata – além do tema polêmico que acompanhou a banda desde o inicio, a discriminação da maconha – de temas como: violência policial, das dificuldades enfrentadas pelo cidadão brasileiro, abandono dos menores de rua e o abismo social.
Apesar do preconceito da mídia e da censura sofrida em um dos clipes, o álbum foi sucesso de venda, emplacando hits como: “Mantenha o Respeito”, “Legalize Já” e “Porcos Fardados”.
O disco vendeu 140 mil cópias, ganhou o disco de ouro e fez com que a mídia tivesse outra perspectiva sobre o trabalho musical e ideológico dos membros da banda. 
“Usuário” propõe uma mescla de estilos musicais como Rap, Rock, Reggae, Hardcore e elementos psicodélicos com o peso da guitarra e a ousadia das letras que retravam a realidade do subúrbio carioca e a contravenção, tudo com a energia e vontade de mudar o mundo que um jovem comum possui. Pegando carona no sucesso do rap brasileiro – em ascensão nos anos 90 – e na idéia libertária introduzida no pais desde do movimento Tropicalista, o primeiro disco do Planet Hemp saiu do forno.
O grupo, composto por Marcelo D2 (vocalista e letrista), Black Alien (vocal e letra), B. Negão (vocal/letra), Bacalhau (baterista), Formigão (baixo), Rafael Crespo (guitarra) e Zé Gonzáles (pick-ups), teria inúmeros problemas com a legislação e a má interpretação do teor de suas letras. Estes integrantes seriam presos mais tarde após um show, acusados de apologia às drogas. As acusações não se firmaram e os mesmos foram soltos, reforçando ainda mais sua imagem de militantes da liberdade de expressão.
Este disco é considerado um dos discos mais importantes da historia do rock brasileiro, tanto por sua ousadia ao tratar de assuntos polêmicos quanto por misturar vários estilos em suas músicas.

Técnicas de Reportagem e Entrevista - Jornalismo Ambiental

Dengue: problema de um, problema de todos

Assim que mais uma temporada de chuvas se inicia, o sinal amarelo sempre é aceso. O perigo da Dengue se faz mais presente no verão, época da reprodução do mosquito transmissor, Aedes Aegypti. Todos sabem que a doença mata, e o que deve ser feito para combatê-la. Ou quase todos, pelo menos.
O que causa indignação nos moradores próximos ao estádio municipal é o acúmulo de lixo na propriedade de Raimundo Nonato, 53. Raimundo vende produtos recicláveis há mais de 10 anos, e utiliza-se de seu vasto terreno para estocar a céu aberto materiais diversos, desde papelão e plástico até pedaços de carros, caçambas ou pneus. Não à toa, o bairro concentra a maior parte dos casos de Dengue registrados nos últimos dois anos, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Mais preocupantes ainda são os dados vindos da capital: proporcionalmente ao número de habitantes, Remanso tem um dos três mais elevados índices de casos de Dengue per capita de todo o estado.
Questionado sobre o que pretende fazer para ajudar a mudar esse quadro, Raimundo demonstra pouco interesse. "Se eu largar isso aqui, eu vou viver de quê? A prefeitura vistoria o terreno todo mês, e nunca fui multado. Não vejo motivo para tanta reclamação dos vizinhos. O problema da Dengue não é só de uma pessoa, mas de todo mundo. Não vejo ninguém ir procurar por criadouros no cemitério." E finaliza com um surpreendente "estou de consciência limpa".
A Sucen, órgão da prefeitura responsável pelo controle de pragas e combate à Dengue, isenta-se argumentando que passa veneno por todas as residências ao menos três vezes ao mês, e que está dando o máximo na luta contra o mosquito.
"Isso é um absurdo!", reclama Marina Silva, que mora nas imediações do terreno. "Todo mundo por aqui na redondeza tem parente que tem ou já teve Dengue. Minha tia faleceu ano passado por conta dessa sujeira toda acumulada e ninguém faz nada, por ele ser parente do prefeito!"
Além da Dengue, o mau cheiro e a presença de animais peçonhentos também são reclamações dos demais moradores entrevistados. Pelo fato de o local ser aberto, há ainda o risco de crianças serem picadas ao permanecerem junto ao lixão.

O agravante do problema é que ele só passa a ser de cada um quando atinge diretamente a todos. Enquanto isso não acontece, é preferível deixar para que o outro cuide. A moradora indignada talvez não se importasse com a gravidade da doença caso não tivesse perdido um parente. Esperou acontecer o pior para começar a fazer a parte dela na própria casa.
Para o proprietário do lixão, a sua subsistência é mais importante do que a sua contribuição negativa para a saúde pública. Ele desvia o foco do próprio problema tentando apontar para problemas dos outros, e se satisfaz por estar quite com a prefeitura.
São dois retratos da triste realidade atual, onde os interesses próprios ainda se sobrepõem ao do todo. Após nova entrevista, dessa vez com o prefeito, este se comprometeu a acabar com o lixão nos próximos meses, numa tentativa de diminuir os números que estão fazendo a pequena Remanso se tornar a Cidade da Dengue. Já é um começo.

Objetivos disto aqui

Finalmente criei meu blog. Tudo bem que foi mais por pressão da coordenação do curso, apenas (apenas?) para postagens de trabalhos da faculdade, mas está aqui, e já não era sem tempo. Um dia, talvez, eu fique bom nisto. Mas por hora, deixo ocupando estas lacunas os trabalhos que (apenas!) podem salvar meu semestre.