Somos todos filhos do Brasil. Alguns se orgulham, outros não.
Vemos futebol por todos os lados. Muitos gostam, outros não.
Entre os que gostam, todos consomem futebol. Uns são fanáticos, outros não.
Seja entre os fanáticos, os apenas que gostam, os que simplesmente conhecem ou até mesmo entre os que desconhecem futebol, todo mundo é chegado em criticar treinador. Não só o do time de coração, mas principalmente o da Seleção da CBF.
O torcedor brasileiro já nasce com predisposição pra chamar de burro o primeiro que for à linha lateral dar instruções ao time. Sejam as instruções válidas ou não.
Os erros e acertos do recrutador de cada Copa repercutem mais do que os de um Presidente da República. Uma escalação mal feita é mais revoltante que um aumento da taxa de juros, por exemplo.
Mano Menezes parece ter estudado com monges tibetanos, tamanho o equilíbrio que demonstra nas entrevistas ao tratar de temas mais embaraçosos. Equilíbrio que às vezes dá sono no telespectador. A impressão é de apatia.
Mas ao contrário do que poderia acontecer em um clube ou outro, não é a torcida brasileira que vai derrubar o Mano do cargo. Só um vexame histórico poderia tirá-lo do comando da comissão técnica antes de 2014. Goleada(s) para a Argentina, talvez.
Lembremos que nem mesmo a ridícula eliminação da Copa América, aquela dos pênaltis batidos com o nariz, foi capaz de promover alguma mudança.
De amistoso em amistoso, o que resta ao povo – que se acha dono da Seleção apenas para ter algo a se orgulhar – é testar a própria paciência, acompanhando jogos medíocres contra equipes medianas e goleadas enganadoras como a de ontem, sobre a China.
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| Mas haja paciência, Mano |
Correndo da Colina
Nesse meio tempo, em São Januário, Ricardo Gomes deixou um time campeão nas mãos de seu assistente, mas o Cristóvão da Cruz de Malta não conseguiu descobrir a América. Pior que isso, viu o time perder peças importantes. Sob a desconfiança de muitos, Cristóvão Borges manteve o Vasco da Gama por número recorde de rodadas no G-4 do Brasileirão, e o time continua exatamente na mesma posição de quando ele o assumiu.
Mas não: para a torcida, ele era burro; para alguns jogadores, ele não servia.
Eis que na 23ª rodada, os jogadores caem de quatro para o Bahia, em casa. Com todo o respeito ao tricolor da boa terra, mas 4x0? Difícil não pensar em boicote.
Aí, meu amigo, o negócio foi pedir o boné e pegar ouro trem-bala. Sem condições.
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| Cristóvão e Dinamite entraram naquele famoso acordo: o clube entrou com o pé e o treinador entrou com o traseiro. Sacanagem. (Djalma Vassão/Gazetapress) |
Pelo o que dá para enxergar daqui de longe, Cristóvão não merecia esse tratamento. Pena que na Seleção da CBF não dá para acontecer coisa parecida.


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