Milhares de mães enlouqueceram ao ver seus filhos querendo aderir à "moda Cascão", em 2002
(Foto: Beagle Club)
Praticamente todo terráqueo aprendeu nas duas últimas décadas a lembrar de Ronaldo Nazário como um exemplo de superação. O maior artilheiro de todas as Copas, sendo eleito por três anos o melhor do mundo pela FIFA, viveu de tudo em sua carreira, desde muitos momentos espetaculares a algumas épocas de verdadeiro inferno astral.
Carismático, polêmico e matador. Na grande área impôs respeito como poucos.
Flamenguista de infância, jogou não muito tempo no Cruzeiro, logo partindo para a Europa. E como brilhou por lá. Mas fato é que o Fenômeno, mesmo adquirindo rapidamente o status de ídolo nacional, ainda sentia falta de uma identidade maior com algum clube brasileiro, aquela paixão inexplicável que todos sentimos pelo nosso time de coração muito mais do que pela Seleção Brasileira.
E então escolheu um clube de massa, mas não o rubro-negro.
Pouca gente ousaria duvidar de um cara como Ronaldo. Mesmo aqueles que cornetavam a sua forma física quando chegou ao Corinthians, tiveram que aplaudi-lo após exibições memoráveis no início de 2009, que renderam dois títulos ao time, e até a cogitação de uma possível volta à Seleção. Mas ficou só na ideia da torcida.
Isso sem falar no salto de crescimento do departamento de marketing corinthiano. Definitivamente, a sua contratação fora um excelente investimento.
Mas aí Ronaldo esbarrou no calcanhar de Aquiles do Corinthians: a Taça Libertadores da América. Duas eliminações, uma justamente contra o Flamengo, e outra antes mesmo da fase de grupos, contra o poderosíssimo Deportes Tolima, contribuíram com a perca da moral com a Fiel. E olha que o cara não tinha pouca, não.
Claro, isso é somado a sequências de lesões e ausências do time, o que foi arranhando aos poucos o carinho que ele conseguiu no Parque São Jorge. Foi considerado pela torcida um dos principais responsáveis pelo fiasco recente, e após mais uma contusão, está prestes a resolver que parar pode ser a melhor opção.
Nesta segunda-feira o mundo voltará seus olhos para a cadeira da Sala de Imprensa do Corinthians, de onde certamente Ronaldo anunciará sua aposentadoria. Lembro-me, em momentos como esse, do fim da carreira de alguns imortais do futebol, e sempre rola aquele papo sobre quem "saiu por cima" ou não. Pelé, por exemplo, pendurou cedo as chuteiras, e no auge da carreira. Raí também foi um bom exemplo de aposentadoria precoce. Já Romário estendeu-se até onde pôde, jogando no sacrifício, e só largou o osso para entrar na política, nas últimas eleições. Mesmo com diferentes despedidas, nenhum dos três deixou uma má impressão no momento do adeus, até pela rica história que construíram dentro das quatro linhas. E Ronaldo também não deixará.
A volta dele para o Brasil foi válida, sim, e muito. É errado condenar o jogador que tem força de vontade e luta contra todos os obstáculos possíveis e impossíveis para continuar sendo feliz e fazendo tanta gente feliz. Afinal, que brasileiro nunca vibrou com algum gol do Ronaldo?

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